A Médicos Sem Fronteiras (MSF) é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias. Também é missão da MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos pacientes atendidos em seus projetos.
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Ameaça da COVID-19 pode agravar emergência humanitária na região
O ressurgimento da violência na província de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC), levou a uma nova onda de deslocamentos forçados. Mais de 200 mil pessoas foram jogadas nas estradas nos últimos dois meses após a destruição de seus vilarejos e centros de saúde por grupos armados. Atualmente, a RDC é o segundo país do mundo com o maior número de pessoas deslocadas internamente, atrás apenas da Síria[1].
Médicos Sem Fronteiras (MSF) pede aos atores nacionais e internacionais que fortaleçam a assistência prestada às populações dessa região localizada no nordeste do país.
Parando o ciclo de violência
“Em 2 de maio, mais de 200 casas foram queimadas na localidade de Wadda. O centro de saúde que estávamos apoiando foi saqueado, relata Alex Wade, coordenador-geral de MSF em Ituri. Pelo menos quatro outras unidades de saúde foram atacadas durante o mês de maio”. O último ataque registrado na região de Drodro ocorreu no dia 17 de maio, e as equipes de MSF vieram apoiar os profissionais de saúde locais para fornecer atendimento de emergência a mulheres e crianças cujos ferimentos haviam sido causados por armas e facões.
A vítima mais jovem do ataque é um garoto de 15 meses de vida que estava nas costas da mãe quando ela foi morta. “A bala atravessou a perna do bebê e matou sua mãe. Ele foi levado ao hospital apenas pelos vizinhos, pois seus pais morreram instantaneamente durante o ataque, assim como três de suas irmãs e três de seus irmãos. Somente seu irmão mais velho conseguiu escapar para o mato e sobreviveu”, diz Diop El Haji, responsável médico de MSF.
Os civis são as principais vítimas desses confrontos entre milícias, forças nacionais e outros grupos armados. MSF está presenciando uma situação dramática para os mais vulneráveis que vivem sob a ameaça constante de serem alvos. “Essa violência é sistemática. Centros de saúde e vilarejos são destruídos para desencorajar aqueles que esperam retornar”, continua Alex Wade. “Como nosso acesso a determinadas áreas não é garantido, nossas equipes estão lutando para fornecer assistência médica às populações locais e deslocadas.”
Garantir o acesso aos cuidados de saúde e aumentar a ajuda humanitária
Numa região abalada por décadas de conflitos comunitários, a insegurança permanente dificulta os movimentos das populações e complica os movimentos dos profissionais humanitários. “As pessoas têm medo de ir aos centros de saúde, seja nos vilarejos ou nos locais de recepção. Eles moram no mato e tivemos que montar clínicas móveis para poder alcançá-los”, explica Benjamin Courlet, coordenador de campo de MSF em Bunia.
MSF insta os atores nacionais e internacionais a aumentar sua presença em Ituri entre as centenas de milhares de refugiados em locais onde os padrões humanitários mínimos estão longe de serem alcançados, entre condições insalubres e superlotação. Nesse cotidiano já frágil, o acesso à assistência médica está se tornando cada vez mais difícil. MSF está tentando atender às necessidades mais urgentes, mas a crise não pode ser resolvida sem mais serviços, atores e equipe de saúde.
“As prioridades imediatas são o acesso dessas pessoas à assistência médica e melhores condições de vida”, resume Benjamin Courlet. A implementação de protocolos de prevenção de epidemias acrescenta um nível de complexidade, principalmente em vista da ameaça da propagação da COVID-19 na região. As necessidades são enormes e não podemos fazer tudo sozinhos.”
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MSF presta assistência médica à população de Ituri desde o início do conflito no início dos anos 2000. Além dos cuidados com os feridos de guerra, existe o tratamento das doenças endêmicas mais mortais da região, como malária, doenças respiratórias infecciosas graves, diarreia e sarampo. MSF mantém presença em hospitais gerais, centros de saúde e centros comunitários de assistência aos centros de deslocados internos nas regiões de Nizi, Drodro e Angumu. MSF também está realizando atividades de promoção da saúde e instalações de água potável e saneamento, além de itens não alimentares em muitos locais de deslocados internos.
No difícil contexto da pandemia global da COVID-19, a propagação da doença na província de Ituri corre o risco de levar a uma catástrofe humanitária. As equipes de MSF organizam sessões de conscientização da comunidade e constroem salas de isolamento e triagem em hospitais gerais para possíveis casos.
[1]https://reliefweb.int/report/democratic-republic-congo/dr-congo-shelters-1-10-worlds-internally-displaced-people
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