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Ainda que difícil, a decisão teve que ser tomada para proteger pacientes e profissionais do vírus Ebola
Médicos Sem Fronteiras (MSF) tomou a difícil decisão de suspender temporariamente as atividades médicas no Centro de Referência de Gondama (CRG), perto de Bo, devido à pressão que o surto de Ebola na África Ocidental impõe na capacidade de resposta da organização no país. Equipes sobrecarregadas significam que MSF não pode garantir a qualidade extremamente alta necessária para tratar pacientes e proteger os profissionais de MSF de infecção.
Antes de o Ebola atingir Serra Leoa, o Centro de Referência de Gondama era um hospital de referência com 200 leitos que oferecia serviços de saúde essenciais para crianças com menos de 15 anos e para mulheres em necessidade de urgência obstétrica e cuidados ginecológicos. Com mais de 8 mil admissões pediátricas e 2,5 mil de emergências obstétricas e ginecológicas, o CRG era uma tábua de salvação para muitos no distrito de Bo e arredores.
Em julho, MSF já teve de fechar a maternidade porque medidas básicas de proteção não podiam ser oferecidas para os nossos profissionais e o risco de infecção era alto demais. Desde 15 de outubro, o CRG não admite novas crianças. As atividades no hospital nas últimas semanas foram muito menores que no mesmo período do ano anterior, principalmente porque as pessoas estão relutando em trazer pacientes para os hospitais com medo da infecção por Ebola. Até o meio de outubro, houve menos de 50 pacientes no hospital.
“Foi uma decisão muito difícil de tomar, pois sabemos que milhares de mulheres e crianças dependem dos nossos serviços no distrito e arredores”, disse Brice de le Vingne, diretor de operações de MSF. “Mas a segurança dos nossos profissionais deve continuar nossa prioridade máxima e se não podemos garantir controle impecável de infecção no hospital, estamos colocando nossos profissionais e pacientes em risco.”
“É nossa intenção retomar nossas atividades no CRG assim que possível, mas para isso precisamos primeiro colocar toda a nossa energia no combate ao Ebola”, acrescentou de le Vingne. “Esperamos que em poucos meses tenhamos condição de nos concentrarmos novamente no tratamento de mães e crianças que agora estão sendo afetadas por esse efeito colateral do Ebola.”
A equipe de MSF em Serra Leoa conta, atualmente, com 107 profissionais internacionais e 1.376 nacionais. A organização mantém dois centros de atendimento a pacientes com Ebola em Serra Leoa, em Bo e Kailahun. Desde que começou a tratar Ebola no país, em maio de 2014, MSF admitiu 843 pacientes, incluindo 584 confirmados com a doença. Desses, 229 se curaram.
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