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Jornalistas brasileiros visitam a Caxemira, que há 500 anos vive sob ocupação estrangeira, e conhecem a realidade de um povo que sofre com a violência e com o stress de estar numa região em constante disputa. Eles também visitaram projetos de MSF no país.
Por Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá
Incrustada nas montanhas do Himalaia, entre China, Índia, Tibet, Afeganistão e Paquistão está uma jóia de rara beleza que atrai a cobiça de impérios há mais de 3.000 anos: a Caxemira. Desde de 1585 o país vem sendo ocupado por alguma nação estrangeira. Atualmente, cerca de 1/3 é ocupado pelo Paquistão, 2/3 pela Índia e uma pequena parte pela China. Apesar de ter uma língua, cultura, arte e identidade próprias, o povo Caxemira não têm liberdade ou independência. Desde o final dos anos 80, diversos grupos decidiram pegar em armas por sua autodeterminação. Junto com o terrorismo, cresceu a militarização. Existem pelo menos três vezes mais soldados estrangeiros na Caxemira do que no Iraque, que tem três vezes o seu tamanho. Não passa um único dia em que não sejam mortos cinco ou seis Caxemires. Também não há uma semana sem quatro ou cinco atentados contra as forças de segurança. Nos últimos 15 anos são mais de 90 mil mortos, 10 mil desaparecidos, 1.500 presos políticos e dezenas de milhares de relatos de estupros, execuções, invasões… No meio de tudo isso está um povo doce e amável, que há muito perdeu a paz de espírito. Neste ambiente, o stress pós-traumático e o stress contínuo são uma epidemia que atinge a todos. O desafio de Médicos Sem Fronteiras é ajudar essa população a não sucumbir à depressão, ansiedade, apatia, taquicardia, cefaléia e tantos outros problemas de saúde mental e física relacionados direta ou indiretamente com os conflitos. “Não podemos solucionar a questão da Caxemira”, admite Saskia Ohlin, profissional de MSF em Srinagar desde 1999, “mas podemos aconselhar a população a como lidar com o stress para que possam ter uma melhor qualidade de vida”. Além do consultório de aconselhamento na capital de verão da Caxemira, MSF mantêm ainda um programa semanal de rádio e visita regularmente distritos e vilas de difícil acesso, principalmente ao longo da Linha de Controle que separa as regiões do país ocupadas por Índia e Paquistão e onde trocas de tiros entre os dois países são constantes.
Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá são jornalistas e repórteres fotográficos. Entre seus trabalhos, destacam-se as exposições fotográficas Angola – A Esperança de Um Povo (que volta a ser mostrada em setembro no Conjunto Cultural da Caixa Econômica Federal em Salvador, Bahia), e Reminiscências de Terezin (sobre o gueto judeu que virou campo de concentração para alemães na República Tcheca).
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