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Paulo Reis é um dos mais experientes profissionais recrutados pela organização no Brasil; já trabalhou em Serra Leoa, Indonésia, Libéria, Colômbia, Somália, Paquistão, Sudão, Sudão do Sul, Afeganistão, Líbia e Uganda
O médico Paulo Reis, clínico geral que trabalha com MSF desde 2005, é um dos indicados para o Prêmio Faz a Diferença, do Jornal O Globo. Quando a notícia foi publicada no início de dezembro, ele estava em Uganda, de onde chegou na semana passada. Estava tratando pacientes infectadas com Marburg, uma febre hemorrágica semelhante ao Ebola, porém mais letal. Paulo planeja estar no Brasil quando o resultado do premio for divulgado, no dia 19 de janeiro.
“Quero passar o final de ano com a minha família, faz muitos anos que eu não faço isso. Depois, quero descansar um pouco”, diz. No ano passado, ele estava na Somália nesta época. Também já passou o período de festas na Colômbia, Sudão e Libéria.
Paulo foi selecionado no primeiro processo de recrutamento realizado no Brasil pela organização. A história dele com MSF, no entanto, começou bem antes, ainda na adolescência, numa sala de dentista. Enquanto esperava para ser atendido, Paulo leu uma reportagem sobre a organização. “Eu falei: ‘é isso o que eu quero fazer, um dia ainda vou fazer isso’. Eu não nem tinha entrado na faculdade ainda, estava na escola”.
Anos depois, outra reportagem o conduziu até MSF. “Um amigo leu no jornal que MSF ia recrutar profissionais no Brasil e me avisou. Era justamente um dia que eu estaria em terra, porque naquela época eu trabalhava em navio. Mandei o currículo imediatamente”, disse.
O primeiro trabalho foi em Serra Leoa. Depois, ele foi para a Indonésia e Libéria tratar pessoas que tinham acesso muito restrito à saúde. Na Colômbia, cuidou de mulheres grávidas e recém-nascidos. Na Somália, de crianças desnutridas. Foi enviado para o Paquistão para trabalhar com os deslocados após as enchentes de 2010 e fazer uma avaliação das necessidades de novos projetos de MSF no país. Antes de o Sudão ser transformado em dois países, atendeu a população que só podia contar com os cuidados médicos de MSF e, depois da separação, cuidou dos sudaneses que fugiram para o Sudão do Sul. Esteve no Afeganistão, país que vive em constante tensão por conta de conflitos, e atendeu os feridos da guerra na Líbia. Este ano, foi duas vezes para Uganda. Na primeira, tratou vítimas do Ebola e, na segunda, pessoas infectados por Marburg.
Os trabalhos em Uganda com pacientes com Ebola foram um reconhecimento à dedicação de Paulo. MSF envia apenas profissionais muito experientes para lugares afetados por este tipo de epidemia.
Experiência, disposição, dedicação, profissionalismo e paciência são os únicos itens que pesam da bagagem do médico. Quando sai para trabalhar em um projeto de MSF, independentemente do tempo previsto para ele ficar, leva apenas três camisetas – todas pretas -, uma calça comprida, um chinelo, uma bota, uma tesourinha desmontável, pasta e escova de dentes e… um rolo de silver-tape, “para o caso de precisar consertar alguma coisa”, diz, apesar de saber que qualquer reparo nos projetos é feito pela equipe de logística.
Paulo também não dispensa o computador, um adaptador universal de tomada, os rocks num MP3 e um livro sempre comprado no aeroporto. Tudo junto nunca passa dos cinco quilos. “Nunca despacho bagagens”.
Atuando em MSF, Paulo diz que consegue unir a “vontade de fazer alguma coisa útil” com o desejo de não ficar preso a nenhum lugar, nenhuma cidade.
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