A Médicos Sem Fronteiras (MSF) é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias. Também é missão da MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos pacientes atendidos em seus projetos.
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Mais de 80 especialistas provenientes de 4 continentes participarão da conferência “Superando o Desequilíbrio Fatal – Soluções para a Crise de Pesquisa & Desenvolvimento para Doenças Negligenciadas”, nos dias 2 e 3 de Dezembro, no Rio.
Mais de oitenta especialistas provenientes de quatro continentes participarão da conferência “Superando o Desequilíbrio Fatal – Soluções para a Crise de Pesquisa & Desenvolvimento para Doenças Negligenciadas”, nos dias 2 e 3 de Dezembro, no Rio de Janeiro.
O encontro, promovido pela Campanha de Acesso a Medicamentos Essênciais de Médicos Sem Fronteiras (MSF) e pelo DND–WG – Grupo de Trabalho de Drogas para Doenças Negligenciadas, terá a participação de representantes da Organização Mundial de Saúde (OMS), da Organização Mundial do Comércio (OMC), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Fundação Oswaldo Cruz, do Instituto Pasteur, e de diversas universidades e institutos de pesquisa internacionais, além de representantes da indústria farmacêutica.
Em 30 anos de trabalho em mais de 80 países, a organização internacional de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras vem testemunhando, em primeira mão, o impacto humano da falta de medicamentos para o tratamento de doenças infecciosas, em especial nos países em desenvolvimento. Esses países respondem por apenas 20% do consumo de medicamentos, apesar de totalizarem 80% da população mundial, e de serem os mais afligidos por doenças negligenciadas pela indústria farmacêutica. Do total de 1.393 novos medicamentos aprovados entre 1975 e 1999, menos de 1% era especificamente indicado para doenças tropicais.
Para investigar o problema, em 1999 MSF criou o Grupo de Trabalho de Drogas para Doenças Negligenciadas. Esse grupo, uma rede internacional de especialistas em saúde, vem analisando a lacuna em pesquisa e desenvolvimento (P&D) existente para doenças denominadas negligenciadas, como a Leishmaniose, a Malária, a Tripanossomíase, a Tuberculose, e outras. Os três primeiros anos de trabalho deste grupo resultaram numa série de conclusões e recomendações sobre as falhas de mercado e de políticas públicas. Dentre as recomendações está a criação da Iniciativa de Drogas para Doenças Negligenciadas (DNDi), uma organização internacional, sem fins lucrativos, para administrar e coordenar redes de P&D em todos as fases da confecção de medicamentos.
A pauta da Conferência versará sobre as conclusões e recomendações do Grupo de Trabalho, – como por exemplo o papel do setor público na P&D de medicamentos -, sobre a discussão acerca das três doenças mais negligenciadas – Leishmaniose, Doença de Chagas e Doença do Sono – e ainda sobre a futura agenda do Grupo. Espera-se também que a Conferência fomente a criação de uma rede nacional capaz de se articular em rede internacional para contribuir com projetos integrados de P&D, até a produção de novos medicamentos. Nesse sentido, o Brasil ocupa posição de destaque, por possuir grande parte das doenças negligenciadas dentro de seu território e por ter uma infraestrutura capaz de realizar pesquisas e produzir medicamentos para estas doenças.
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