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Mais de 7 mil pacientes foram examinados e aconselhados desde que o centro de saúde abriu, em maio 2001, e mais de 1,7 mil pacientes HIV positivo foram atendidos em consultas médicas. Para lidar com a demanda, MSF construiu dois novos postos no local.
“Nós estamos bem cientes de que há um problema enorme aqui, e que nossa operação é pequena. Mas, para nós, trata-se de socorrer as pessoas que estão diante de nós, esperando que nosso auxílio possa ajudá-las a lutar contra a doença” – médico de MSF em Moçambique.
Tajardo já estava doente havia algum tempo, mas Beatriz só suspeitou de que algo estava errado quando lhe disse que estava grávida de seu segundo bebê. De repente, ele começou a se tornar agressivo, mas não dizia o que estava errado. Num dado momento, expulsou-a de casa – não parecia ser ele.
Beatriz procurou a clínica de Médicos Sem Fronteiras e fez o teste para o HIV. Era o que ela temia – tinha contraído o HIV de seu marido. E se não começasse o tratamento, era provável que a doença atingisse seu bebê também.
Na sala de espera superlotada do centro de saúde de Alto Mae, David Evans, um médico de Newcastle, Austrália, explica um trabalho que às vezes se assemelha a segurar a maré: conter a epidemia de HIV em Moçambique.
13% da população deste país do sudeste africano têm o HIV: aproximadamente 1,1 milhão de pessoas. Cerca de 500 pessoas são infectadas a cada dia. Uma geração inteira de moçambicanos está em perigo mortal.
Tratamento abrangente
“O que nós estamos tentando fazer é oferecer um tratamento abrangente”, diz David, coordenador de saúde de MSF no país. “Nós oferecemos testagem voluntária e aconselhamento. Então, se alguém for HIV positivo, nós lhe oferecemos diagnóstico precoce e tratamento para infecções oportunistas, como a tuberculose, que são contraídas por seu sistema imunológico enfraquecido. Se a paciente estiver grávida, nós temos uma clínica voltada à prevenção da transmissão ao bebê. Se uma paciente estiver muito doente para ir à clínica, nós oferecemos uma enfermeira e tratamento em sua casa”.
MSF desenvolve cinco projetos semelhantes de identificação de HIV em Moçambique: dois em diferentes distritos da capital, Maputo, e três nas províncias do extremo norte, Niassa e Tete.
Começando em janeiro, MSF abrirá um novo serviço no país: o tratamento com terapias anti-retrovirais; medicamentos que, embora não sejam capazes de erradicar o vírus, podem prolongar a vida de pessoas com HIV positivo por muitos anos, contendo-o eficazmente. Se tudo correr bem, fornecer esta terapia, não somente possibilitará que as pessoas vivam mais, como o clima de desesperança que cerca a doença pode também melhorar.
A clínica de Alto Mae está ficando muito popular: é exatamente ao lado da principal estação de ônibus de Maputo e suas salas de espera parecem estar sempre cheias. Mais de 7 mil pacientes foram examinados e aconselhados desde que o centro abriu, em maio 2001, e mais de 1,7 mil pacientes HIV positivo foram atendidos em consultas médicas. Para lidar com a demanda, MSF teve que construir dois novos edifícios no lugar.
Embora possam se sentir sobrecarregados, David e o restante da equipe de saúde estão fazendo algo correto.
“Veja, eu sou um médico; é isto o que eu faço”, ele diz. “Nós estamos bem cientes de que há um problema enorme aqui, e que nossa operação é pequena. Mas no final das contas, para nós, trata-se de socorrer as pessoas que estão diante de nós, esperando que nosso auxílio possa ajudá-las a lutar contra a doença”.
Ainda lutando
Beatriz está lutando, certamente. Após saber que era HIV positivo, foi examinada na clínica de MSF no Hospital Maternidade de Chamanculo e inserida no programa de prevenção da transmissão mãe para filho. Imediatamente antes do nascimento do bebê recebeu uma dose de nevirapina, um medicamento que reduz a possibilidade da transmissão do HIV; logo após o nascimento, seu bebê recebeu a mesma droga. Desde então, tem alimentado sua filhinha com a fórmula-leite para bebês, fornecida gratuitamente por MSF – porque o leite materno pode transmitir HIV. Sua filha pode estar livre do vírus e a parteira diz que ela é saudável.
Com esperança renovada, Beatriz retomou sua vida. Ela está informada, saudável e cuidando bem de si mesma. Agora está trabalhando como recepcionista na clínica de MSF no Hospital Maternidade e participando de um grupo semanal do auto-ajuda de pessoas HIV positivas.
“O que eu sei, agora, é que não estou sozinha”, diz ela.
Quanto a Tajardo, quando a equipe de funcionários de MSF ouviu história de Beatriz, foi procurá-lo, e o encontrou em um hospital, sofrendo de TB. Estava sozinho e certo de que ia morrer. Foi incluído num programa de tratamento de infecções oportunistas, no hospital de Alto Mae.
Beatriz e Tajardo agora estão juntos outra vez e felizes. Tajardo também está melhorando: está respondendo bem ao tratamento e ganhando peso outra vez.
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