A Médicos Sem Fronteiras (MSF) é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias. Também é missão da MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos pacientes atendidos em seus projetos.
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Ainda não há garantias, no entanto, de que os trabalhos serão concluídos antes da chegada da estação chuvosa na região noroeste da Nigéria
A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) está otimista diante da liberação dos fundos e do início dos trabalhos para reparar o vilarejo de Bagega, passo fundamental na batalha contra a crise de contaminação por chumbo em Zamfara, estado da Nigéria. O processo de descontaminação remove o chumbo do ambiente; sem isso, as crianças são continuamente expostas às toxinas do chumbo, o que torna o tratamento médico ineficaz. Por mais de dois anos, centenas de crianças contaminadas em Bagega aguardam a desintoxicação de seu vilarejo para que possam receber atenção médica urgente. O Ministério do Meio Ambiente federal visitou Zamfara na última semana e anunciou o início das atividades de descontaminação em Bagega, que será feito em parceria com o Ministério do Meio Ambiente de Zamfara e a Fundação Internacional TerraGraphics. Desde 11 de fevereiro, a TerraGraphics e o Ministério do Meio Ambiente estão atuando em Bagega. “MSF está muito feliz com o início de um trabalho que foi postergado por tanto tempo. Estamos nos preparando há tempos para oferecer tratamentos essenciais às vidas das crianças de Bagega”, afirma Ivan Gayton, representante de MSF na Nigéria. “Nós só poderemos dar início às nossas atividades uma vez que o processo de descontaminação estiver bastante avançado e as redondezas certificadas por especialistas em engenharia ambiental, como a TerraGraphics, como livre da contaminação.”
A contaminação aguda por chumbo em crianças pode causar graves danos cerebrais e morte. A condição submete as crianças ao risco da perda de apetite, vômitos, dores abdominais e perda de peso, bem como retardo mental de longo prazo, problemas comportamentais e falência renal. MSF, em parceria com o Ministério da Saúde, trata vítimas da crise de contaminação por chumbo em Zamfara – o pior surto já registrado – desde que foi descoberto em 2010. Até hoje foram tratadas 2.500 crianças. MSF deseja trabalhar lado a lado com o Ministério do Meio Ambiente e tem a expectativa de que os recursos recém-liberados serão utilizados imediatamente e adequadamente, de acordo com os planos e o acordo assinado entre a TerraGraphics e o Ministério.
A descontaminação do solo só poderá ser realizada na estação seca, e um processo feito pela metade não é efetivo, uma vez que há risco de contaminação por áreas ainda não remediadas.
“Infelizmente, o atraso na liberação dos fundos colocará ainda mais pressão em nossas equipes para que o trabalho seja concluído em tempo”, contou Simba Tirima, Diretor de Operações da Fundação TerraGraphics. “Se não terminarmos a descontaminação antes do início das chuvas, o sucesso do processo estará comprometido. Mas a TerraGraphics, em parceria com a cidade de Lugga e equipes do Ministério da Saúde, trabalhará sem parar para garantir que as crianças de Bagega tenham oportunidade de receberem tratamento de MSF o quanto antes.”
Finalmente, resolver a crise em Zamfara demanda uma abordagem em três níveis: tratamento médico, descontaminação do ambiente e práticas mais seguras de mineração. MSF mantém seu posicionamento no que diz respeito à necessidade de introdução de práticas mais seguras, para garantir que as pessoas envolvidas nos processos de mineração e processamento de minérios possam exercer suas tarefas sem terem de expor a si mesmas e outras ao envenenamento por chumbo. Médicos Sem Fronteiras é uma organização de ajuda humanitária que oferece serviços médicos de emergência na Nigéria desde 1971. MSF não é afiliada a nenhuma religião, governo ou partido político.
Em março de 2010, MSF respondeu a relatos de crianças que morriam misteriosamente em comunidades do estado de Zamfara, no norte da Nigéria. Estima-se que cerca de 400 crianças tenham morrido e outras milhares apresentam níveis excessivos de chumbo no sangue nunca vistos antes. Esse foi o pior surto de envenenamento por chumbo já registrado na história.
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