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Ela deu à luz seu primeiro filho na instalação de saúde de MSF em Maimusari, próximo a Maiduguri. O conflito no país tem tornado sua vida e das demais mulheres nigerianas ainda mais difícil
Amina tem 15 anos de idade, e parece que carrega o peso do mundo em seus ombros. Seu corpo, já pequeno, encolhe ainda mais à medida que ela conta o que enfrentou.
Dormindo no leito do hospital ao seu lado, está seu filho Yagub, para quem deu à luz há alguns dias na instalação de saúde da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Maimusari, a 15 quilômetros do centro de Maiduguri, a capital do estado de Borno, no nordeste da Nigéria.
O centro de saúde de MSF em Maimusari está lotado de mulheres e crianças. Por todo o lado, há mulheres reunidas, segurando seus bebês, ou sentadas em bancos à espera de atendimento.
Eu digo mulheres, mas muitos dos rostos em meio à multidão são de adolescentes, com idade similar à de Amina. Algumas dessas meninas deram à luz seu segundo ou terceiro filho.
Mais de 500 mulheres e bebês estão sendo tratados nesta instalação de saúde de MSF diariamente e mais de 700 partos são realizados por semana.
MSF mantém um departamento ambulatorial e de internação, uma maternidade e uma ala de serviços de pré-natal, além de um centro ambulatorial de nutrição terapêutica. É ali que as crianças e os bebês desnutridos recebem tratamento terapêutico.
Amina diz que é a segunda esposa de seu marido; ele tem outros cinco filhos de sua primeira esposa. Ela conta que não faz ideia de onde ele está e que ele ainda não conhece seu filho recém-nascido.
Amina é de Bama, uma cidade no nordeste da Nigéria. Bama é uma das frentes de batalha do atual conflito entre o exército nigeriano e o grupo Boko Haram, que deslocou mais de 2 milhões de pessoas e tem provocado uma crise nutricional cada vez maior.
Amina foi retirada de Bama e encaminhada à instalação de saúde de MSF em Maimusari. A jornada leva duas horas e meia. A estrada é precária e perigosa, porque há pontos de controle militar e é próximo à floresta de Sambisa, em Gwozah, onde o Boko Haram afirma manter uma base.
“Eu não lembro da jornada de Bama até Maiduguri porque estava sentindo muita dor, eu havia desmaiado. Minha irmã mais nova, Noor, de 5 anos de idade, me acompanhou. Se eu estava com medo? Eu passei a minha vida toda com medo e agora não foi diferente”, diz Amina.
“É muito difícil ser mulher aqui. Acontecem muitas coisas ruins às meninas, coisas indescritíveis, e elas começam a acontecer quando as meninas ainda são muito novas, já aos 10 anos de idade, por exemplo”, continua. Amina contorce seu vestido enquanto fala e desvia o olhar frequentemente, tentando evitar um contato visual com a enfermeira que está no quarto do hospital.
“O que eu posso te dizer? É impossível para mim falar sobre essas coisas.” Eu pergunto a ela como se sente sobre o fato de ser mãe. Ela encolhe os ombros e depois se inclina para trás, olhando para longe.
No mesmo quarto que Amina, há duas mulheres com seus filhos recém-nascidos.
As mães que parecem mais velhas lidam com seus filhos de modo mais experiente e com mais apego, segurando seus bebês bem próximos de si enquanto amamentam.
Em um leito, há gêmeos enrolados em seus cobertores. Muitas das novas mamães têm menos expressões em seus rostos. Elas parecem completamente exaustas.
Fatima, de 35 anos de idade, deu à luz seu sexto filho. Ela diz que o parto foi realizado com segurança por MSF, e que é grata por ter um lugar para ir quando precisa.
“Me sinto segura aqui e sabia que seria bem tratada e meu filho nasceria saudável. Eu não sei o que acontecerá amanhã e tudo o que posso fazer é torcer pelo melhor para o meu filho e para todas as crianças.”
A obstetriz de MSF Etsuko Nakamura está fazendo as rondas no centro de saúde.
Na sala de parto, uma mulher que acabou de dar à luz está com a placenta retida, algo que pode ser fatal, na medida em que causa infecção. As enfermeiras massageiam seu útero para tentar fazer com que a placenta saia.
Outra mulher entra em trabalho de parto e os profissionais a preparam para o procedimento.
“O estado de saúde da maioria das nossas pacientes é precário, e para muitas delas é demasiadamente difícil ir até o médico porque elas não têm dinheiro ou porque os familiares não veem como uma prioridade”, diz a obstetriz de MSF Etsuko.
“Nós realizamos até 15 partos por dia. Muitas das mulheres tiveram mais de uma gestação e dão à luz em espaços curtos de tempo – seus corpos estão fracos e exaustos. Em nosso trabalho, vemos diariamente o impacto do conflito e da pobreza. Vemos como a vida de mulheres e crianças são dificultadas pela violência e a instabilidade. As mulheres e as crianças são as mais vulneráveis e as que mais sofrem”, diz Estuko.
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