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Depois de seis meses de pressão, Médicos Sem Fronteiras recebe anti-retrovirais para serem distribuídos na Nigéria
A campanha para fazer com que os medicamentos para HIV/Aids mais baratos se tornem acessíveis registrou recentemente um grande avanço na Nigéria. Graças à organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), uma variedade mais eficaz de medicamentos para tratar os pacientes chegou ao país. No entanto, tal conquista não foi alcançada sem luta. Paul Okolo falou com as pessoas sobre o sistema de distribuição de medicamentos tornado realidade por MSF.
Recentemente, MSF recebeu um carregamento de Kaletra, um remédio altamente eficaz no tratamento de pessoas vivendo com HIV/Aids. A fabricante americana do medicamento, Abbot, enviou o anti-retroviral por navio após seis meses de intensa pressão por parte de Médicos Sem Fronteiras. MSF pagou US$ 500 por pessoa por um ano de tratamento, enquanto o preço de venda nos Estados Unidos é US$ 5 mil.
A representante de MSF Gina Bark diz que o Kaletra é uma versão melhorada de um medicamento mais antigo. "A nova versão é estável com relação ao calor, não precisa de refrigeração, não tem que ser ingerida com comida e o risco de estragar é menor. Esse remédio foi feito para a África".
Para um país como a Nigéria, onde pelo menos três milhões de pessoas vivem com Aids, especialistas afirmam que esse novo medicamento traz esperança de um tratamento mais eficiente. Ele também é feito sob medida para driblar problemas como a falta de eletricidade e de comida.
Mas pode-se levar anos antes até que o Kaletra se torne facilmente acessível na África se os países não conseguirem seguir o exemplo de MSF, que há anos faz campanhas pedindo que a indústria farmacêutica disponibilize seus produtos nos países pobres. O grupo humanitário defende que seja feita pressão para que a Abbot registre o medicamento em países africanos que precisam dela, enquanto órgãos regulatórios desses países devem aprovar o medicamento.
Para Bark, a Nigéria deve intensificar seus esforços para garantir que medicamentos mais baratos sejam disponibilizados para todos seus cidadãos. O governo prometeu oferecer assistência gratuita para 250 mil pessoas vivendo com Aids. Mas Bark afirma que a maioria das pessoas que vive em áreas rurais pode continuar sem tratamento.
"Se você olhar a quantidade de unidades disponíveis para pacientes que precisam de tratamento, vai perceber que são poucas comparado com o número de pessoas que precisam delas. O tratamento é uma grande questão. Se você sai das grandes cidades, não há nada em alguns estados. O público também deve estar ciente de que o tratamento está sendo oferecido. Se você se trata, pode ter uma vida bem normal", diz Bark.
Segundo MSF, para milhões de pacientes com Aids em países em desenvolvimento, esta é a hora de fornecer um tratamento acessível e a vacina eficaz pelos quais eles esperam pacientemente há anos.
* Reportagem do 'Voice of America', programa de Rádio dos Estados Unidos
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