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Governo nigeriano precisa liberar os US$ 5,4 milhões que prometeu para solucionar o problema que já atinge mais de 1.500 crianças
Uma conferência internacional liderada por Médicos Sem Fronteiras (MSF) com o objetivo de encontrar soluções para a questão da contaminação por chumbo terminou na quinta-feira (10/5). Os delegados da conferência elaboraram um plano de ação claro cobrando comprometimento do governo nigeriano na resolução da crise.
“Houve muita conversa, mas agora é hora de agir”, disse Ivan Gayton, representante de MSF na Nigéria. “MSF só vai considerar essa conferência um sucesso quando crianças contaminadas estiverem em ambientes seguros e recebendo tratamento.”
Delegados, dentre eles os ministros do Zamfara (estado nigeriano onde foram confirmados casos de contaminação em cinco vilas), o chefe de estado dos Emirados de Anka, representantes do governo da Nigéria, funcionários de organizações humanitárias nacionais e internacionais, cientistas, e especialistas em saúde, meio ambiente e mineração manifestaram desapontamento quanto à ausência dos tomadores de decisão da Nigéria – ministros de Minas, Meio Ambiente e Saúde – e ao fato de que não foi anunciada nenhuma ação concreta por parte do governo federal.
Os prometidos 850 milhões de nairas, o equivalente a US$ 5,4 milhões, devem ser liberados imediatamente para a população de Zamfara. O dinheiro destinado para reparos ambientais e desenvolvimento de métodos de mineração seguros está no limbo há meses, enquanto milhares de crianças continuam sofrendo com a contaminação aguda por chumbo.
A Conferência acordou um Plano de Ação para determinar os caminhos a serem seguidos para se alcançar os três pilares que solucionariam a crise em Zamfara: cuidados médicos, reparos ambientais e mineração segura. Para garantir o sucesso do plano, o governo nigeriano, em especial os ministros de Minas, Meio Ambiente e Saúde, tanto em nível federal quanto estadual, devem direcionar recursos significativos e coordenar as ações.
A liberação dos recursos prometidos é prioridade máxima para o Plano de Ação, como também a descontaminação da aldeia de Bagega, onde aproximadamente 1500 crianças estão contaminadas desde 2010, e continuam na espera pela descontaminação de sua aldeia. Não é possível para MSF prover tratamento efetivo em regiões como Bagega, ainda afetadas pela contaminação. A organização trata os casos mais graves em uma ala de internação no hospital de Anka.
“A população de Bagega está desesperada por ajuda”, disse Zakaria Mwatia, enfermeira e coordenadora de projeto de MSF em Zamfara. “Alguns dos locais estão ameaçando descontaminar determinadas áreas com suas próprias mãos, na esperança de possibilitar o tratamento oferecido por MSF.”
“Para por um fim à contaminação por chumbo, são necessários conhecimentos específicos e equipamentos”, disse Simba Tirima, cientista especializado em engenharia ambiental da Terragraphics. O povo de Bagenga precisa de assistência urgente – já solicitada – para providenciar um ambiente seguro para suas crianças.”
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