Hussaini Usman, sobrevivente da noma e agente de higiene da MSF, discursa durante as comemorações do 9.º Dia da Noma em Sokoto, Nigéria.

Para lá das cicatrizes: a história de um sobrevivente de noma

No Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas, assinalado a 30 de janeiro, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) partilha o testemunho de Hussaini Usman, um sobrevivente de noma

Um hospital apoiado pela MSF no Norte da Nigéria é um dos poucos no mundo onde quem sobrevive a esta doença tropical negligenciada, que afeta o rosto e a boca, pode ter acesso a tratamento.

“Lembro-me de quando andava na escola primária, apenas o meu primo aceitava sentar-se ao meu lado”, recorda Hussaini Usman.

Natural de Kebbi, estado no Norte da Nigéria, Hussaini Usman, agora com 31 anos, contraiu noma em criança. Sobreviveu à doença mas enfrentou graves abuso e discriminação. Ao crescer, teve dificuldades em encontrar trabalho e afirma ter sido rejeitado devido à aparência física.

“Algumas pessoas pensavam que, talvez, Deus [me] estivesse a castigar”, conta ainda este sobrevivente de noma.

O caso de Hussaini Usman não é único. Quem sobrevive ao noma relata frequentemente episódios de discriminação e isolamento social, muito devido ao desconhecimento público que existe sobre esta doença tropical negligenciada.

Na cidade de Sokoto, também no Norte da Nigéria, profissionais do Ministério da Saúde e da MSF trabalham para reverter este cenário no Hospital de Noma de Sokoto. Nesta unidade, a abordagem da MSF centra-se, de igual modo, nos cuidados médicos vitais prestados aos pacientes, na reabilitação e no envolvimento comunitário para promover o diagnóstico precoce e reduzir o estigma. As pessoas que sobrevivem ao noma e respetivos cuidadores podem aceder a cuidados gratuitos num ambiente onde se sentem apoiadas.

 

Hussaini Usman, sobrevivente de noma e agente de higiene da MSF no Hospital Infantil Noma em Sokoto, Nigéria.
Hussaini Usman, sobrevivente de noma e agente de higiene da MSF no Hospital Infantil Noma em Sokoto, Nigéria. © Eugene Osidiana/MSF

 

Adicionalmente, são feitas cirurgias duas a quatro vezes por ano, o que garante o acesso a procedimentos de reconstrução para auxiliar a cura e a recuperação. Entre 2014, data em que a MSF iniciou o apoio às atividades do hospital, e 2025, a organização apoiou a realização de mais de 1600 cirurgias reconstrutivas de grande porte a 1074 pacientes, através de 33 intervenções cirúrgicas, incluindo 99 cirurgias a 89 pacientes em 2025.

“Dedicamos um cuidado especial para garantir que os pacientes – habitualmente jovens – e os respetivos cuidadores se sintam confortáveis e apoiados durante aquele que pode ser um período traumático”, explica a responsável da equipa médica de proximidade, Rosewiter Marunza.

Em 2023, uma campanha global – liderada em parte pela MSF – garantiu a inclusão do noma na lista oficial de doenças tropicais negligenciadas da Organização Mundial da Saúde. Este passo abriu novas vias de financiamento e aumentou a sensibilização para a doença, que afeta sobretudo crianças entre os 2 e os 6 anos e pode provocar graves danos faciais e morte se não for tratada imediatamente. O noma está frequentemente associado a pobreza extrema e atinge crianças que sofrem de desnutrição e de falta de higiene oral.

“Infelizmente, a doença pode provocar um estigma duradouro”, frisa o supervisor da equipa de enfermagem, Haruna Yohanna. “Tenho esperança de que, nos próximos anos, esse estigma desapareça à medida que mais pessoas compreendam o que é o noma e o que não é.”

Para Hussaini Usman, a descoberta do Hospital de Noma de Sokoto, no estado vizinho àquele onde vive, trouxe-lhe mudanças significativas na vida. Ali, foram-lhe providenciados tratamento e cirurgia. Isto mudou a forma como os outros o veem – e como ele se vê a si próprio. Atualmente, trabalha como agente de higiene no Hospital de Noma de Sokoto, onde presta apoio a pacientes e garante um ambiente de cuidados seguro.

“Algumas das pessoas que antes não queriam conviver comigo, começaram agora a fazê-lo”, expressa. “E agora tenho confiança para me juntar à congregação.”

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